• Ermes Costa

O crescimento do Neonazismo no Brasil



A que podemos atribuir o crescimento do Neonazismo no Brasil? Estaria ela ligada à ascensão do governo Bolsonaro? Em 2020, 204 novas páginas neonazistas foram criadas no Brasil. Em maio de 2018 o número era de 28 páginas. Há uma relação do crescimento nazista com o discurso racista, anti comunista e armamentista.


Segundo a SaferNet, organização não governamental que promove os direitos humanos, recebe denúncias e monitora os sites radicais, do primeiro turno das eleições de 2018 para o segundo turno houve um crescimento de denúncias de xenofobia de 2.369%. De apologia e incitação ao crime contra a vida (615%), neonazismo (548%), homofobia (350%), racismo (218%) e de intolerância religiosa (145%). O número de denúncias de discurso de ódio dobrou com relação às eleições de 2014, de 14,653 para 39,316.


Foi em outubro de 2018 que novas páginas neonazistas atingiram um pico. Foram criadas 441 novas páginas contra 89 em setembro. Um levantamento da antropóloga Adriana Dias, pioneira nas pesquisas da ascensão da extrema-direita nos anos 2000, registrou, no último mês de junho, 349 células de inspiração nazistas em atividade no Brasil. 70% concentrada em três estados: São Paulo (102), Paraná (74), Santa Catarina (69). Vale lembrar que Bolsonaro contou com o apoio de David Duke, um ex líder da KKK, nas eleições de 2018. “Ele soa como nós. É um candidato muito forte. É um nacionalista”, disse Duke.


No semestre anterior, em novembro (2019), em regiões que não tinham registros, Goiás, por exemplo, surgiram 6 células. Outras 3 fecundaram no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Essas células fabricam, comercializam, veiculam ornamentos, distintivos, símbolos em defesa do pensamento racista. Se estima que esses grupos reúnem 7,000 pessoas. Já na Alemanha, calcula-se que os extremistas ativos sejam 24,000. Dentre eles, hitleristas, separatistas, grupos de negação ao holocausto e sessões da Klu Klux Klan.


Timbó (SC), foi o primeiro lugar a ter uma célula nazista fora da Alemanha. Em 1928, antes de Getúlio Vargas extinguir os partidos brasileiros (1938), a legenda possuía 3,000 filiados no nosso país. Espalhados por São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Estima-se que ao final de 2019 esse número já bata a casa dos 500k. Já em 2013, a antropóloga Adriana Dias estimou o número de simpatizantes com base em conteúdo discriminatório. São cerca de 45,000 em Santa Catarina, 42,000 no Rio Grande do Sul, 29,000 em São Paulo, e 18,000 no Paraná, 8,000 no Distrito Federal e 6,000 em Minas Gerais.


E o Nordeste?


Vale também ressaltar que o candidato a presidente Fernando Haddad (PT) registrou 69,7% dos votos válidos do Nordeste. É a única região do Brasil em que Bolsonaro foi derrotado. No Nordeste, Bolsonaro ficou com 30,3% dos votos válidos. No total, Haddad contabilizou 20,3 milhões de votos; e Bolsonaro, 8,8 milhões.

Todas as demais regiões deram vitória a Bolsonaro. Nesses casos, a diferença foi maior no Sul. O presidenciável do PSL teve 68,3% dos votos válidos contra 31,7% de Haddad. Por outro lado, a disputa ficou mais apertada no Norte, onde o candidato do PT conquistou 48,1% do votos válidos e Bolsonaro, 51,9%.

  • Norte: Bolsonaro 51,9% X 48,1% Haddad

  • Nordeste: Bolsonaro 30,3% X 69,7% Haddad

  • Sul: Bolsonaro 68,3% X 31,7% Haddad

  • Sudeste: Bolsonaro 65,4% X 34,6% Haddad

  • Centro-Oeste: Bolsonaro 66,5% X 33,5% Haddad


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© ErmesCosta #peloFuturodoRecife

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